Comunicação: quem são seus eleitores?

Comunicação: quem são seus eleitores?

Você já parou para pensar que a nossa forma de se comunicar muda conforme o nosso ouvinte? Quando conversamos com uma criança, por exemplo, em geral somos mais carinhosos e pacientes. Muitos até usam uma voz mais fina, imitando os bebês, não é mesmo? Em uma reunião de trabalho usamos de linguagem mais formal e com os amigos, informal e por aí vai…Com os eleitores não deve ser diferente.

Ao iniciar seu planejamento de marketing para um pleito, você deve ter em mente quem são os seus eleitores. Justamente para saber a quem direcionar sua comunicação.

Mas você poderá pensar: “ah, mas eu vou falar para todos os eleitores da cidade!”. E não deixa de ser verdade, porém, alguns podem criar rejeição ao candidato apenas por não se identificar com sua maneira de se portar e de se comunicar. Por isso, é importante observar, antes de construir o seu discurso, pelo menos, quem é a maioria.

Como identificar os eleitores

O Tribunal Superior Eleitoral – TSE divulga, ao final de cada eleição, todas as estatísticas relacionadas tanto aos candidatos, quanto aos eleitores. É possível extrair desses dados muitas informações importantes para o planejamento de campanha, por região, estado ou município, como por exemplo:

  • Idade e sexo dos eleitores
  • Idade e sexo dos candidatos
  • Presença e ausência de eleitores
  • Partidos com mais candidatos eleitos
  • Outros.

Para ter acesso as informações dos eleitores basta acessar as Estatísticas do Eleitorado  e selecionar os filtros desejados. Veja abaixo o exemplo da cidade de Montes Claros – MG.

estatísticas dos eleitores

Fonte: TSE

Como mostra a imagem, a faixa etária com maior número de eleitores é a de 45 a 59 anos, somando um total de 63.125 pessoas. Claro que esse número não garante uma eleição majoritária, mas, é possível eleger vários vereadores se essa quantidade for convertida em votos. Ou seja, um candidato que foque sua comunicação para atrair pessoas de 45 a 59 anos terá um público muito maior que outro que prefira direcionar seu discurso aos jovens de 16 a 20 anos, por exemplo.

Você concorda que, dificilmente, um mesmo discurso agradará a jovens de até 20 anos e adultos de 45 a 59? Se sim, você entendeu a importância de conhecer seu eleitorado e saber como se comunicar com ele. Agora é só praticar!

Kim, Zema e Bolsonaro: o que eles têm em comum?

Kim, Zema e Bolsonaro: o que eles têm em comum?

Kim Kataguiri, um jovem de 23 anos de idade, eleito Deputado Federal pelo Estado de São Paulo – o quarto mais votado – nas últimas eleições. É também o cofundador e coordenador do Movimento Brasil Livre – MBL, a favor do  impeachment de Dilma Rousseff. Kim  mobilizou o país em diversas manifestações, utilizando, principalmente a internet. Em outubro de 2015, a revista americana TIME classificou Kataguiri como um dos jovens mais influentes do mundo naquele ano.

Romeu Zema tem 54 anos, é empresário, proprietário de lojas de departamento e postos de gasolina e atual governador de Minas Gerais. Só apareceu no cenário político em vésperas de ano eleitoral. Foi eleito em 2018 Governador de Minas Gerais pelo partido NOVO com quase o dobro dos votos do segundo colocado, Antônio Anastasia (com extensa experiência e estrutura política – governador por 2 vezes e senador da república).

Jair Messias Bolsonaro, 64 anos, é um militar da reserva, político e atual presidente do Brasil. Filiado ao Partido Social Liberal, foi deputado federal por sete mandatos entre 1991 e 2018, sendo eleito através de diferentes partidos ao longo de sua carreira.

O que eles têm em comum?

Começando pelo óbvio, todos foram eleitos para cargos públicos nas eleições de 2018. No entanto, suas trajetórias de vida e carreira são bem distintas. Kim e Zema nunca ocuparam cargos públicos de cunho político antes de serem eleitos, nem possuíam grandes apoios de lideranças na política ao se elegerem. Bolsonaro, por outro lado, apesar de ter sido deputado “a vida inteira”, seu partido não tinha grande representação no governo, considerado por muitos jornalistas como “sigla nanica” até sua ascensão, com a eleição de Bolsonaro para presidente.

Outra característica comum é que nenhum deles possuíam grandes estruturas de campanha. Sabemos que isso faz ou fazia bastante diferença há algum tempo para o sucesso nas eleições. Quanto mais recursos, maiores as chances de levar a sua mensagem e convencer as pessoas a votarem em você. O Partido NOVO, de Romeu Zema, por exemplo, mobilizou-se para pedir doações ao partido, defendendo a realização da campanha sem utilização do dinheiro público. Bolsonaro, gastou menos que seu orçamento e fez doações do seu saldo de campanha.

Logo, o que pode ter levado os três a terem sucesso no pleito de 2018? 

As estratégias de marketing político, talvez.

A resposta não é tão simples, claro que envolve diversos fatores, inclusive a situação política-econômica do Brasil na época e o discurso de cada um. Mas, podemos observar pelo menos 2 características fortes de suas estratégias de campanha que, certamente foram determinantes para a vitória:

1. Se posicionarem como “a mudança“: Kim e Zema não eram políticos, portanto esse posicionamento caiu como uma luva para eles. Em meio a tantos escândalos de corrupção, eles poderiam ser a salvação, vistos que ainda não tinham sido “contaminados pelo meio politico”.

Já Bolsonaro usou da estratégia de combate, criticando veementemente seus colegas de profissão para mostrar que não compactuava com os “inimigos da nação” e por isso era diferente.

2. Mobilizar as pessoas através da internet: Os três candidatos investiram pesado na divulgação de suas ideias na internet. Não apenas em suas próprias páginas. Eles conseguiram fazer com que as pessoas propagassem, antes mesmo de serem candidatos, suas ideias. Prova disso é que Kim Kataguiri, em pleno período eleitoral se revoltou contra o Facebook por derrubar páginas relacionadas ao MBL. Foram removidas 196 páginas e 87 perfis na rede social como parte da política de combate à disseminação de notícias falsas. De acordo com o candidato e seus apoiadores, de maneira injusta.

Portanto, o que pode se concluir é que a forma de trabalhar o marketing político tem mudado e quem não se atentou a isso, talvez até tenha tido êxito, porém com maior dificuldade. E é bem provável que essa tendência continue.

E é simples notar o motivo. Os comportamentos mudaram, as gerações nascidas na era da informação têm a internet como parte do seu dia a dia e fonte de conhecimento para quase tudo. Atualmente, essas pessoas são a maioria da população brasileira. Basta observar a pirâmide etária de 2018, segundo dados do IBGE:

pirãmide etária 2018 - marketing politico

Ou seja, conseguir o voto dessas pessoas é conseguir o voto da maioria dos brasileiros. Encontrá-los parece ser fácil, eles estão na internet. Convencê-los já é outra história…E para isso você precisa conhecer melhor esse ambiente que é a internet e saber como utilizá-lo ao seu favor. Para e ajudar nessa tarefa criamos o Guia Prático de Marketing Político Digital. Garanta já o seu.

Tem dúvidas ou deseja receber alguma orientação sobre marketing político? Envie-nos uma mensagem!

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